Nós e as crianças em Inhotim – parte 1

Padrão

PARTE 1 e PARTE 2

Quem viaja com crianças sempre tem incluídos no roteiro passeios em que elas possam ter um pouco de liberdade para explorar o espaço e gastar energia, claro! O Instituto Inhotim proporciona tudo isso, estimulando os sentidos de todos na família e treinando o olhar dos pequenos para a arte e a cultura sem que elas percebam, enquanto fazem o que fazem de melhor… brincar \o/

Ir para Inhotim já era uma vontade nossa. E quando comentamos em casa já fomos logo pesquisar qual a melhor época do ano e quanto tempo precisávamos para conhecer o Instituto. Claro que queremos sempre o melhor aproveitamento de um passeio tão rico como esse.

Buscando informações sobre visitar Inhotim com crianças vimos várias sugestões bacanas, como comprar os ingressos antecipadamente no site, com o pagamento de uma taxa adicional, e que os melhores dias para visitas são dias de semana e finais de semana que não compõem feriados prolongados, isso por causa do grande fluxo de pessoas em datas e programas especiais. E fomos num desse finais de semana de menor movimento…

NOSSO ITINERÁRIO

Saímos de Brasília, onde morávamos, numa sexta-feira bem cedinho, de carro, e viajamos por 9 h até chegarmos nos arredores de Belo Horizonte. Aí, são mais 60 Km com o endereço do hotel no GPS do celular, até chegarmos no nosso destino, em Brumadinho.

Nos instalamos no Hotel Fazenda Horizonte Belo, distante 9 Km do Instituto. O que foi muito bacana, pois as atividades em Inhotim se encerram cedo – 16h30 durante a semana e 17h30 nos fins de semana – então, ainda pudemos aproveitar o hotel fazenda para andar a cavalo, curtir uma piscina e brincar na sala de jogos,  e se tiver disposição, caminhar pelo pasto da fazenda, o visual é incrível!

Bom, esse foi o nosso itinerário. Há também opções de hospedagem e transporte para quem se hospeda na cidade de Belo Horizonte. Para saber mais sobre como chegar e todas as outras informações necessárias como aquisição de ingressos, restaurantes, horários de funcionamento e visitas guiadas, CLIQUE AQUI.

Além de um Centro de Arte Contemporânea, Inhotim é um Jardim Botânico, com uma área de 110 hectares abertos à visitação e mais de 100 obras de artes em exposição. Com as crianças precisamos de mais de um dia. Uma dica bacana é chegar cedo, logo que o parque abre, ás 9h30, e poder passear com tranquilidade.

Há roteiros pré-definidos para a visitação às galerias, distribuídos em três percursos que reconhecemos por cores distintas. Veja o Mapa Interativo ou faça um Tour Virtual para já ir se familiarizando. Você também pode escolher fazer os percursos a pé ou contratar o transporte por carrinhos elétricos que circula internamente no parque.

Nós escolhemos aproveitar o máximo possível, em apenas um dia de visita, com as crianças e a pé! Assim elas teriam mais oportunidades de vivenciar a experiência no seu tempo e interagir com as obras e os espaços abertos… foi uma ótima escolha. 🙂

A ideia é aproveitar! E como em nosso hotel seriam servidos café da manhã e jantar fartos, combinamos de fazer pequenos lanches durante o dia, já que não é permitida a entrada de alimentos nem a realização de piqueniques. Lá dentro há lanchonetes e restaurantes para todos os gostos e bolsos. Apenas verifique os dias e horários de funcionamento.

SOBRE INHOTIM

O Instituto Inhotim está localizado no Vale do Paraopeba, no Estado de Minas Gerais, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Brumadinho, cidade que possui belezas naturais, riquezas históricas e culturais.

Segundo os moradores de Brumadinho, o local foi uma fazenda, que pertenceu a uma empresa mineradora que, no século XIX, atuava na região. O responsável por essa empresa era um inglês chamado Timothy – o “Senhor Tim”, que, na linguagem local, acabou virando “Nhô Tim” ou “Inhotim”, dando origem ao nome do Instituto.

Desde sua criação, o Instituto Inhotim estabeleceu relações multidimensionais com a cidade, seja como local de trabalho para a população seja como agente propulsor de desenvolvimento social, educativo e cultural.

VISITAÇÃO

Estamos em um Centro de Arte Contemporânea que é também um Jardim Botânico Nacional! Um lugar lindo de atmosfera muito agradável, cuja característica mais marcante é a interação do verde com intervenções artísticas.

O que levar quando vamos à um lugar ao ar livre e em meio à vegetação? É melhor prevenir! Leve repelente, protetor solar, água, capa de chuva e sapatos confortáveis, e se estiver com crianças pequenas, leve o carrinho.

E lá vamos nós, entre palmeiras, jardins de flores, fazer as vivências das galerias de arte. Uau, cada lugar!! A exuberância da vegetação nativa de Mata Atlântica… as plantas ornamentais… as crianças correndo pra lá e pra cá… Rsrs

Vamos destacar alguns dos lugares e contar um pouco das nossas impressões, pois seguindo as regras de visitação há lugares que podemos interagir mais e outros que são apenas para contemplação, e tem aqueles em que não poder ser usadas câmeras de nenhum tipo. A nossa visitação aconteceu não exatamente nessa ordem, mas lá vai… 🙂

Na Galeria da Praça, galeria permanente de Inhotim, vimos os muros de esculturas realistas de John Ahearn. Esse muro retrata a rodoviária da cidade sede do Instituto. Ficamos animados com a beleza, mas ninguém quis dançar com a mamãe… Rsrs

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“Rodoviária de Brumadinho”, de John Ahearn (2008) – Instituto Inhotim – Brasil

Galeria Cosmococa, de Hélio Oiticica, super interativa. Somos parte da obra! São cinco salas (cinco cosmococas), cada uma com uma experiência multi-sensorial diferente. As crianças corriam, mexiam e remexiam no que podia. Músicas e projeções diferentes em todas as salas, e uma piscina… Foi cada um para um lado!

Onde elas ficaram mais animadas foi na sala temática (o tema é de uma cantora muito famosa que vamos manter o mistério, Rsrs), onde tinha muitos, mas muitos balões. Pensem em crianças felizes… E tinha sala com redes, outra com almofadas de formas geométricas que podiam ser movimentadas, empilhadas… uma festa!

“Galeria Cosmococa”, Hélio Oiticica (1973) – Instituto Inhotim – Brasil

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Beto interagindo com a obra de Hélio Oiticica – Instituto Inhotim – Brasil

Na instalação seminal “A Origem da Obra de Arte” de Marilá Dardot, plantamos mudas escolhidas por nós, em vasos de cerâmica produzidos por mãos de artesãs, e brincamos de escrever nossos nomes. Entendemos que a ideia da artista era chamar o espectador à interação, semear ideias e compor palavras que seriam deixadas nos jardins ao redor da estufa, até que outro espectador chegue, leia e transforme as palavras em novas ideias. Genial!

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“A Origem da Obra de Arte”, Marilá Dardot (2002) – Instituto Inhotim – Brasil

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Brincando com os vasos de Marilá Dardot – Instituto Inhotim – Brasil

Muita vontade de mergulhar na Piscina de Jorge Macchi. Ela é a realização escultórica de um desenho que o artista fez de uma caderneta de endereço com índice alfabético, aqui transformada numa obra “site-specific” que é também uma piscina em funcionamento.

Acabamos apenas molhando os pés. Apesar do dia ensolarado, era junho e estava um pouquinho frio. Mas para quem curte este tipo de interação, é essencial levar roupas de banho e nem precisa preocupar com as toalhas. Próximo à piscina, escondidos na mata, estão os banheiros/vestuários super espaçosos e equipados com toalhas.

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“Piscina”, Jorge Macchi (2009) – Instituto Inhotim – Brasil

Esta próxima obra é De Lama Lâmina, de Matthew Barney. Quase como uma descoberta em meio a mata atlântica, um domo geodésico de aço e vidro, e dentro dele uma representação de um trator florestal segurando uma árvore com raiz e tudo… explicações do artista e interpretações a parte… nos faz pensar bastante.

Lá aconteceu uma daquelas cenas de criança. Vínhamos de obras super interativas e quando nos demos conta as crianças estavam em cima do trator!! Uma das vigias que estavam por ali pediu gentilmente que elas descessem, pois essa era uma das obras para se contemplar… Compreendido, seguimos para a próxima galeria… Rsrs

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“De Lama Lâmina”, Matthew Barney (2004) – Instituto Inhotim – Brasil

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“De Lama Lãmina” por dentro!

Fomos também ao Galpão Cardiff & Miller, que é incrível! Lá não são permitidas câmeras durante a interação. Dentro da galeria, dezenas de caixas de som espalhadas. Os espectadores sentam-se em cadeiras acomodadas na parte central da galeria.

A intenção é que fiquemos quietos, até de olhos fechados, somente escutando o desenrolar da obra The Murder of Crows que circula alto pelas caixas de som transmitindo grande realismo. Em inglês, uma mulher falando, assustada, cachorros latindo, o trem se aproximando, o vento… Ao final conseguimos compreender o contexto da obra. Surpreendente e arrepiante. Essa não vale tanto contar, vale viver!

“The Murder of Crows”, Cardiff & Miller (2008) – Instituto Inhotim – Brasil

Subindo uma das pequenas ladeiras num dos percursos do parque, em meio à mata, se revela esta impressionante edificação, a Pavilhão Miguel Rio Branco, com uma fachada linda inteira revestida em aço corten.

Lá dentro é possível visitar exposições de fotos do artista que dá nome ao pavilhão, muito interessante. No térreo pode-se fazer uma parada para lanche na Omeleteria, que tem opções de sanduíches, salgados e omeletes.

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Pavilhão Miguel Rio Branco – Instituto Inhotim – Brasil

Pavilhão Miguel Rio Branco – Instituto Inhotim – Brasil

Então encontramos a obra ao ar livre Beam Drop Inhotim, quem em tradução livre quer dizer “queda de viga”. Sua primeira edição é de 1984 e foi realizada no Art Park, em Nova York. Foi feita com a ajuda de um guindaste, que o artista posicionava e soltava as vigas em uma piscina de concreto fresco.

Quando nos aproximamos ficamos impressionados com a magnitude da obra. Circulando entre as vigas hora nos encontramos e desencontramos numa simulação de esconde-esconde.

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“Beam Drop Inhotim”, Chris Burden (2008)  – Instituto Inhotim – Brasil

Ufa! Esse post já esta um tanto longo… assim como conhecer Inhotim precisa de mais de um dia, para contar essa história de um jeito bacana serão necessários mais de um post… Rsrs

Seguem mais algumas imagens para já deixar um gostinho. E até breve! 🙂

E a “parte 2” já está lá… Nós e as crianças em Inhotim: parte 2

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Beto e a obra “Elevazione”, do artista italiano Giuseppe Penone (2000)

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Uma das áreas de refeição. As cadeiras são como flores!

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Marina e Natália experimentando um dos bancos entalhado em tronco de madeira.Há vários pelo parque.

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A natureza mostrando sua arte – Jardim Botânico Instituto Inhotim – Brasil

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Vista do Hotel Fazenda Horizonte Belo – Brumadinho – MG/Brasil

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Passeio à cavalo, as crianças adoram!

 

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